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Quando a Morte me tocou

  • 30 de jan.
  • 1 min de leitura

Quando a morte me tocou

em um estado de sobriedade,

pela primeira vez,

eu congelei.


Logo eu,

confiante a pensar

“a morte, apenas uma passagem é,

uma fatalidade natural”,

e vivo a reafirmar:

“Se hoje a morte chegar,

pelo menos eu vivi a bailar”.


Mas quando seu sopro

de verdade eu senti,

um medo tomou conta de mim.


Sem planos,

sem preparações,

e sem a névoa da embriaguez,

o que era apenas uma ideia remota

fez meu corpo paralisar.


Mesmo que meus olhos não tenham visto,

minha mente imaginou

e meu corpo sentiu

a percepção real

de que somos seres quebráveis.


Não foi a ideia de não viver mais

que meu eixo tirou.

Foi a imprevisibilidade.

Quando é pra ser, ela vem.

Sem pedir licença.


O hoje se faz urgente.

O amanhã ainda não chegou.

Talvez nem há de vir.

Na verdade,

nem o daqui a pouco

é certo que aconteça.

Talvez o agora

é que mais importa.


Sinta agora.

Ame agora.

Sorria agora.

Abrace agora.


A grande revelação é que

essa vida não nos pertence.

A morte quem é a dona.

Tamanha a ironia.

A nós cabe apenas a escolha

do que fazer com ela.


Sou submissa à morte,

deusa soberana.

Tão generosa.

Tão doce.

De humor super duvidoso,

vivendo constantemente

a nos lembrar

que o bem mais precioso que temos

é como escolhemos a vida levar.

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