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Meu amante de vidro

  • 19 de abr. de 2025
  • 1 min de leitura

A câmera me observa.

Eu finjo não notar.

Apenas um instante banal,

enquanto penteio meus cabelos negros — devagar.

Mas sob a pele,

ferve o feitiço que te aprisiona:

desvendo teus desejos

através do espelho.


Meu corpo é um poema declamado:

a blusa rosa, tão justa,

deixa escapar

dois pontos de exclamação.

A curva da coluna,

dita o ritmo do teu olhar.

A calcinha, uma vírgula

a pontuar meu quadril perdição.

Meus suspiros assinam

a poesia (não tão) inocente

deste corpo-verso.


Tu me vês,

mas não me tocas

Quem sou eu?

Espectro a te encantar,

sussuros de desejo

a queimar tua carne,

se de carne fostes feito.

És apenas espectador.

És o espelho que não me alcança,

mas que estremece

quando viro de costas

e arqueio — arco-íris de carne.


O quarto rosa,

palco deste momento trivial:

uma armadilha.

Meus gestos são facas sem lâmina:

incisivos, mas doces.

Sei que anseias ser o vidro,

a câmera a me fitar,

próximo aos meus quadris,

enquanto finjo não te ver.

Cuidado para não te quebrar.

Não te enganes

por eu permitir teu olhar

sobre meu corpo a te encantar.


E se ainda assim

aceitares mergulhar

apenas tuas íris em mim,

sabei que te devorarei

inteire — ah, como te consumo

sem nunca te tocar.


Ofereço-te o fio, a pele, o desafio.

Cada curva,

cada arrepio,

cada sorriso,

cada gargalhada...

Terei imenso prazer

em te ver sofrer

enquanto me exibo para ti.


(Enquanto isso,

o espelho embaça

e a câmera engole

meu amante de vidro.)



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