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♱ DESEJOS PROFANOS EM SEXTA-FEIRA SANTA ♱

  • 18 de abr. de 2025
  • 1 min de leitura

Sabe do que mais gosto?

Dos seus dedos encantados

— feitiço antigo —

entre minhas pernas,

do meu quadril consagrado no seu

como oração que não se nega.

Enquanto você segura meu corpo — firme —

para que eu não fuja

desta missa

que é meu próprio desejo.


Confessas em meus ouvidos

sussurros de pecados,

palavras que ainda não consigo admitir em voz alta,

pois o céu julgaria

(e o céu é uma cela),

mas o inferno já decorou.

Me fazes sentir suje, imoral, herege,

enquanto me derramo em êxtase profano.


Amém.

E ainda assim,

mesmo não conseguindo me livrar

de todas as vozes que querem me crucificar,

sinto essa sede que nenhum cálice saciaria,

sinto essa fome que nenhuma hóstia mataria —

não quero parar.


Toca-me mais.

Até eu secar.

Drena todo meu desejo

até a última comunhão,

até que nenhum Pai Nosso

eu consiga gritar.


E quando eu emorecer,

quando minha cabeça já não me segurar,

e eu virar altar,

usa-me.

Profana-me.

Preenche-me.

Faz de mim tua hóstia,

tua via sacra de prazer.

Faz-me gemer

como um coro de anjos caídos.


Beija-me como Judas,

morde-me como os demônios,

faz arder minha pele

como a fogueira da inquisição.


E derrama-te sobre mim

— comunhão invertida —

como óleo de unção,

como sangue de santo:

adentra meu reino proibido,

onde vivo a sonhar

e, em pecado,

me permito desejar.


Um dia renasço

e grito:

meu prazer é meu altar.


Nenhum deus que me queime

merece meu fogo.

Nenhum céu que me prenda

merece meu voo.

Sou corpo-terra-templo,

e meu desejo

— por mais profano —

sempre será

a única oração

que não me nego.



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